Vitorioso

Com 79 anos ele se apresentou ao hospital como quem cumpre deveres cívicos. Cambaleando, entregou a carteirinha, assinou o termo e foi encaminhado, na cadeira de rodas, ao quarto coletivo que, por sorte, ainda estava vazio. Sob a supervisão da  enfermeira, retirou sapatos e meias e despiu-se das calças, camisa sem bolso e cueca, vestindo…

Colagem de amor

[Por Vanessa Bortulucce, Historiadora da Arte] "Façamos colagem de amor. Pegar pedaços de papeis bem pequenos, recortes de textos, frases soltas, um pouco daquela música, colar no rosto dele, construir o teu desejo, o teu, apenas o teu, que se dane o dele. Espalhar a mão dela, que já conhece bem aquelas artes, pelos quadris…

Ensino e indústria

Em minha modesta opinião, aulas não deveriam ser dadas em série, uma após a outra até o esgotamento da energia de professores e alunos. Sei bem o que é isso: muito antes de começar a lecionar, trabalhei como operário na linha de montagem industrial. Nela eu não tinha tempo de pensar, refletir, imaginar ou criar.…

Promoção – meus livros baratinhos

Capellari

Aproveitei a licença da Amazon e ofereci meus dois romances publicados pela Kindle gratuitamente entre os dias 08 e 12 de agosto. São eles: Quase Negros (3a. edição) e Felicidade, substantivo feminino.

Centenas de leitores baixaram os livros e agradeço a cada um deles, pois agrada ao escritor, antes de tudo, ser lido. Críticas são super bem-vindas.

Como a promoção oferecida pela Amazon é por tempo limitado, consegui agora reduzir o preços até o limite permitido pela editora, o equivalente a 1 dólar cada livro.

Quem ainda não conseguiu baixá-los, se desejar pode adquiri-los pelo valor “simbólico” de 3 reais e alguns centavos.

Espero que gostem.

Ver o post original

Primeira resenha de meu livro “Felicidade”, pelo blog “Páginas Errantes”

Um ano atras, talvez, eu criei esse blog. Estava miserável, sentia falta da poesia e da literatura na minha vida. A melancolia costumava transitar com uma rebeldia sem explicação. Odiava meu curso, meus professores, meus pais, a mim mesmo. Reconhecia em mim imaturidade, imperfeição, falhas de caráter e falta de motivação. Foi logo depois […] via…

Promoção – meus livros baratinhos

Aproveitei a licença da Amazon e ofereci meus dois romances publicados pela Kindle gratuitamente entre os dias 08 e 12 de agosto. São eles: Quase Negros (3a. edição) e Felicidade, substantivo feminino. Centenas de leitores baixaram os livros e agradeço a cada um deles, pois agrada ao escritor, antes de tudo, ser lido. Críticas são super bem-vindas.…

Contabilidade

[Vanessa Beatriz Bortulucce] Ela já sente a perda desde os primeiros instantes do acontecimento. Ela sorri com os cantos dos lábios, de um jeito meio aristocrático, refinado e contido. A velha catástrofe, já percebida, acenando lá de longe, no horizonte do calendário, presa a um quadradinho com um número qualquer. Ela sabe. Por Deus, ela…

Ela (4)

Não respondeu como devia, isto é, como eu esperava. Não se fez de vítima, não fugiu nem tampouco reagiu com rispidez. Cônscia de si mesma, disse apenas que vê o mundo como a um espelho, uma miríade de espelhos que circulam, envolvem, encaram-na em olhos azuis, castanhos, verdes, negros como a noite. Espelhos revelam menos…

O lado sombrio dos contos de fadas

Capellari

Responda rápido: se estivesse na floresta, você teria medo do Lobo Mau ou da Chapeuzinho Vermelho? Naturalmente quase todo mundo dirá: “do Lobo Mau, obviamente”.

Mas a resposta não é tão óbvia para quem leu o superinteressante O lado sombrio dos contos de fadas, de Karin Hueck (Abril, 2016). Curiosa, a autora não se contentou com as versões açucaradas de Walt Disney, todas com final feliz, e foi em busca das histórias originais.

Ver o post original 198 mais palavras

O diabo de Tolstoi

Capellari

Quem já viu o diabo cara a cara e desejou conhecê-lo?

Pois bem, li O diabo de Liev Tolstoi muitos meses após concluir a escrita de meu Felicidade, substantivo feminino. Se tivesse lido antes, talvez o desfecho para a história de adultério de meu protagonista, Grego Fortunato, fosse bem diferente.

Eu certamente não conseguiria apagar de minha memória e de meu coração certas passagens, como a que antecipo aqui, que diz muito sobre as questões morais presentes no enredo tão trágico quanto banal desse exemplo de narrativa russa do século XIX:

“Será possível que eu não consigo me controlar?”, pensava. “Será mesmo que estou perdido? Meu Deus! Ora, não existe Deus nenhum. Existe o diabo! E é ela. Ele se apossou de mim. Mas eu não quero, não quero. É o diabo, sim, o diabo.”

Ver o post original 274 mais palavras