Supérfluo e essencial

Em outros tempos, o texto comportava a expectativa da longa duração. Na escrita, havia o cuidado em refrear o supérfluo e em aprofundar o raso. A meta era a sobrevivência do essencial. Ler, por sua vez, não era para toda hora. Tinha seus momentos, exigia atenção e respeitosa intervenção crítica. O conteúdo perdurava. Com o … Continue lendo Supérfluo e essencial

Eterno retorno

Tudo que podia ser dito já o foi. Não há experiência nova: todas elas foram vividas no passado, no presente e no futuro, este velho conhecido. Elas transitam rapidamente pelos inúmeros veículos criados ou a se criar, entrecruzando-se nas estações concretas ou neuronais até se diluírem no tédio premeditado das notícias requentadas. Certa vez ouvi … Continue lendo Eterno retorno

Resenha de meu romance “Quase negros”

Há dubiedade em mim. Sento na sala desfeita com baixa luminosidade e sinto o vento que sopra em meu rosto. Por um momento, paro de escrever e ouço o cachorro uivando na rua. O céu da cidade é muito iluminado. Tão bem iluminado e carregado de nuvens que, dentre os tons rosados da poluição, vê-se […] … Continue lendo Resenha de meu romance “Quase negros”

Diretrizes para o exercício consciente, mas antipático, da inteligência

Começo pelo antipático, pois é muito difícil ser simpático sendo inteligente. Então é pegar ou largar, e se valer a sugestão, largue e não exercite. É que um dos exercícios para refinar essa faculdade consiste em esgotar os pensamentos até que eles se revelem corretos ou incorretos. E isso só é possível pondo cada um … Continue lendo Diretrizes para o exercício consciente, mas antipático, da inteligência

Sem destino, de Karina Dias

Conheci Eliana Natividade em 2009, fui seu professor no curso de jornalismo em São Paulo. Um dia, no final do ano letivo, ela me presenteou com um de seus romances, Aquele dia junto ao mar (Editora Malagueta), assinado com o pseudônimo Karina Dias. Foi a primeira obra de ficção LGBT que me caiu nas mãos. Li com … Continue lendo Sem destino, de Karina Dias