Supérfluo e essencial

Em outros tempos, o texto comportava a expectativa da longa duração. Na escrita, havia o cuidado em refrear o supérfluo e em aprofundar o raso. A meta era a sobrevivência do essencial. Ler, por sua vez, não era para toda hora. Tinha seus momentos, exigia atenção e respeitosa intervenção crítica. O conteúdo perdurava. Com o … Continue lendo Supérfluo e essencial

Entre o puteiro e o povo

Que cada um acredite no que quiser! O dono do Bahamas parece acreditar no poder do meretrício e festejou a prisão de Lula humilhando uma mulher sob os aplausos de bêbados. Acreditar, neste caso, não é causa - trata-se de business. Aplaudir, idem. Foto: Reprodução/ Túlio Vidal O povo que tentou evitar a prisão do ex-presidente … Continue lendo Entre o puteiro e o povo

O fim das tristezas 

Acabou o tempo das grandes tristezas, da alma remexida, das confusões intestinas e do intrépido impulso por libertação. Sem alvoroço, o progresso nos presenteou com pílulas para tudo, principalmente para não pensar. Entregamos os pontos, há especialistas para todos os tipos de males. Despender energia para quê se os receituários respondem à demanda por risadas prontas?  … Continue lendo O fim das tristezas 

Eterno retorno

Tudo que podia ser dito já o foi. Não há experiência nova: todas elas foram vividas no passado, no presente e no futuro, este velho conhecido. Elas transitam rapidamente pelos inúmeros veículos criados ou a se criar, entrecruzando-se nas estações concretas ou neuronais até se diluírem no tédio premeditado das notícias requentadas. Certa vez ouvi … Continue lendo Eterno retorno

Pra não dizer que não falei das crianças

Tenho evitado polemizar com siglas e sinais de trânsito, elas contêm muito mais do que se pode ler em três ou quatro linhas. Mas não posso me furtar, nestes dias tenebrosos, de suspender a burca da alienação. Seu tecido, cerzido com as linhas do atraso e da intolerância, tem feito muito mal à vista. Em … Continue lendo Pra não dizer que não falei das crianças

Ensino e indústria

Em minha modesta opinião, aulas não deveriam ser dadas em série, uma após a outra até o esgotamento da energia de professores e alunos. Sei bem o que é isso: muito antes de começar a lecionar, trabalhei como operário na linha de montagem industrial. Nela eu não tinha tempo de pensar, refletir, imaginar ou criar. … Continue lendo Ensino e indústria

Jeitinho brasileiro?

Com a novela dos escândalos políticos, convencionou-se dizer que o povo brasileiro participa da cultura da desonestidade; que os casos envolvendo lideranças governamentais e empresários são apenas a ponta do iceberg, uma vez que todos nós somos coirmãos na prática do “jeitinho”. Leio artigos e vejo vídeos de intelectuais famosos encantando suas plateias com lindas … Continue lendo Jeitinho brasileiro?

Diretrizes para o exercício consciente, mas antipático, da inteligência

Começo pelo antipático, pois é muito difícil ser simpático sendo inteligente. Então é pegar ou largar, e se valer a sugestão, largue e não exercite. É que um dos exercícios para refinar essa faculdade consiste em esgotar os pensamentos até que eles se revelem corretos ou incorretos. E isso só é possível pondo cada um … Continue lendo Diretrizes para o exercício consciente, mas antipático, da inteligência