Homo idiotes

Na democracia ateniense, “idiota” era o termo usado para se referir ao cidadão que não participava dos assuntos públicos e que só se preocupava com assuntos individuais. Isto é, ao homem (pois somente homens eram, em alguns casos, considerados cidadãos) despolitizado.

Há algum tempo publiquei, em minha coluna do coletivo Candeia, o texto Homo idiotes, neste caso uma referência ao cidadão da denominada modernidade líquida. Ei-lo:

Tudo começou com um idiota cujas idiotices eram admiradas por todos. Seus ditos chistosos encaixavam-se perfeitamente na regra saudável dos dizeres. Ele indiscutivelmente sabia fazer rir.

Estiloso nos gestos e de prolixo cacarejar, “causava” ao mostrar os dentes. Era tido por genial. Antes da Internet, pelo entorno do picadeiro; mas assim que inventaram as redes sociais, sua ruidosa parvoíce ganhou tentáculos. Esgueirando-se de tela em tela, seu toque, como o de Midas, pariu grande número de iguais.

Com o tempo, a quantidade de gênios cresceu; e como crescesse geometricamente, surgiu uma nova espécie de hominídeo.

A seleção natural é mestra da vida, de modo que os mais aptos, isto é, os predominantes, sobreviveram e também procriaram. Até que, ao fim de um rápido ciclo, a nova espécie foi finalmente classificada.

Em homenagem ao primeiro espécime, os taxonomistas deram-lhe o seguinte nome: homo idiotes.

Somos a espécie mais feliz da Terra.

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