Supérfluo e essencial

Em outros tempos, o texto comportava a expectativa da longa duração. Na escrita, havia o cuidado em refrear o supérfluo e em aprofundar o raso. A meta era a sobrevivência do essencial. Ler, por sua vez, não era para toda hora. Tinha seus momentos, exigia atenção e respeitosa intervenção crítica.

O conteúdo perdurava.

Com o advento das facilidades, o texto se equiparou à fala. Escrevemos e lemos ao sabor dos apetites flutuantes. O supérfluo igualou-se ao essencial e o raso se faz passar por profundo. Nenhum texto exige crítica, nem de quem escreve, nem muito menos de quem lê.

Nada perdura.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s