Toda vez que olhava o céu, o impulso era de pintá-lo com cores eternas.

No faz-de-conta das cantigas de ninar havia sempre um final feliz imune ao tempo, uma espécie de paisagem celestial que de tão futura, imobilizava suas raízes na chocha realidade infernal.

Ainda não sabia, pobrezinho, que céu não se pinta; nuvens tem predileção pela errância.

Quando – abruptamente – se deu conta, renunciou ao pincel e deitou na relva do outono. Com os galhos estendidos sobre a moldura do inverno, soube que estava tudo bem.

 

Imagem: Seáhu (Japão, século XV)

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