Galinhas brancas ciscam na grama verde do pátio. Competem por minhocas, insetos e farelos de pão – sua fome é infinita. Galinhas, pintinhos, frangos e galos disputam por espaço. Pragmáticos, enterram os pés na grama verde e felpuda. Não perdem tempo olhando o céu.

Frangotes sedutores cortejam franguinhas assanhadas, mas os galos de grande crista dominam o gramado. Cacarejam, saltitam, empinam o peito com elegância. Avançam, trepam nos poleiros, reinam absolutos.

Galinhas poedeiras chocam pintinhos. Maternais, os ensinam a disputar. Jamais olham o céu. Somos todos pragmáticos, inteligentes e livres – o importante é saber ciscar na grama verde, felpuda.

Até que o machado, não se sabe de onde veio, decepa uma, duas cabeças. O sangue vermelho tinge e adocica a grama. Lá  adiante alguém prepara o guisado. Aqui, pintinhos, galinhas, frangotes e galos branquinhos continuam a ciscar na grama verde e felpuda do pátio. De cabeça baixa, ninguém olha o céu.

Seria ele azul?

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