Imagine uma quentíssima história de amor entre um professor maduro e sua aluna de dezessete anos. Até aí tudo bem? Vamos dizer então que o resultado dessa paixão proibida foi o nascimento de um filho, tudo às escondidas. E que o tutor da garota, ao saber da história, mandou capangas castrarem o professor.

Parece ficção, mas não é.

Essa história aconteceu com pessoas de carne e osso em Paris, no século XII. E não acabou assim: uma vez separados, Heloísa e Abelardo, os amantes em questão, se recolheram cada qual a uma ordem religiosa e trocaram cartas de amor pelo resto de suas vidas.

Como sei dessa história?

Graças ao livro Heloísa e Abelardo,  de Etienne Gilson. Além de contar a história, o autor analisa o conteúdo das cartas, revelando os afetos e os conflitos íntimos desses personagens da Idade Média e o contexto religioso e filosófico que permeia o romance.

O livro me impressionou tanto que, ao compor o personagem-escritor Grego Fortunato de meu Felicidade, substantivo feminino, só consegui impedi-lo de escrever sua versão de Heloísa e Abelardo  castrando uma palavra de sua memória – a palavra felicidade. Mas aí já é outra prosa, que você pode acompanhar lendo meu livro, anunciado aqui no blog.

Quanto ao Heloisa e Abelardo, ele foi publicado no Brasil pela EDUSP, com tradução primorosa de Henrique Ré. Custa em torno de R$50,00 e pode ser comprado nas grandes livrarias.

livvro heloisaRecomendadíssimo!

A história de Heloísa e Abelardo foi parar nas telas de cinema. Dirigido por Clive Donner, Em nome de Deus (Inglaterra, 1988) é uma opção a mais para quem deseja acompanhar esse drama na telona:

 

2 comentários em “Heloísa e Abelardo

  1. É uma triste história, mas não só isso. O texto nos ensina muito sobre os valores, os costumes, a visão de mundo de uma época. E até sobre a forma de narrar daquela época – lembremos que o gênero epistolar era bastante comum desde a Antiguidade e até então. Eu tenho uma edição da Martins Fontes, de 1989, “Correspondência de Abelardo e Heloísa”, com apresentação primorosa do Paul Zumthor, grande medievalista. Também recomendo grandemente. Parabéns, Marcos, pela resenha e pela iniciativa de lançar luz a textos como este.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Olá Martha, obrigado por enriquecer a apresentação da obra. Realmente, as cartas trocadas pelo casal são de uma riqueza muito grande. Elas nos falam muito sobre essa cultura que parece tão distante no tempo, mas que ainda nos influencia muito. Obrigado por indicar outra obra que trata do assunto. Após ler sua valiosa dica, dei uma olhada na Amazon e acabei encontrando outras versões, inclusive uma em e-book, de Alexander Pope, por R$1,99. A de Paul Zumthor sai por R$35,00. Um grande abraço.

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