Li O albatroz, de Charles Baudelaire, pouco antes de ingressar no Departamento de Letras da USP, em 1988 (três anos depois acabei optando por História, mas as Letras jamais saíram de meu coração).

Não sou poeta, mas ao reeditar meu primeiro romance, Quase Negros, para publicação futura em e-book, meus olhos se desviaram da tela do computador em direção à estante, pousando sobre meu exemplar de As flores do mal.

Fui direto à página marcada, a do poema mencionado, e sem modéstia alguma me senti tal qual o piloto dos ares, capenga na terra:

Às vezes, por folgar, os homens da equipagem

Pegam de um albatroz, enorme ave do mar,

Que segue – companheiro indolente de viagem –

O navio no abismo amargo a deslizar.

E por sobre o convés, mal estendido apenas,

O imperador do azul, canhestro e envergonhado,

Asas que enchem de dó, grandes e alvas penas,

Eis que deixa arrastar como remos ao lado.

O alado viajor tomba como num limbo!

Hoje é cômico e feio, ontem tanto agradava!

Um ao seu bico leva o irritante cachimbo,

Outro imita a coxear o enfermo que voava!

O poeta é semelhante ao príncipe do céu

Que do arqueiro se ri e da tormenta no ar;

Exilado na terra e em meio do escarcéu,

As asas de gigante impedem-no de andar.

 

(Max Limonad, 1985, p.90)

Meu exemplar de As flores do mal saiu pela Editora Max limonad em 1985, com tradução de Jamil Amansur Haddad.

Há várias edições impressas da obra (com preços entre R$20,00 e R$80,00). Em e-book encontrei este por R$33,16.

 

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